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ITINERÁRIO 2
UM FLORESCENTE E LONGO SÉCULO XVI (PERÍODO MANUELINO)

Uma visita ao Torrão, com tempo, permite-nos ver retratada uma parte significativa da história de Portugal e do desenvolvimento económico, social e cultural do país nos últimos 600 anos. A comprovar esta realidade, temos a diversidade do património edificado, de carácter religioso ou civil, que mantém até aos dias de hoje, uma monumentalidade e beleza singular, quando entendido como um todo no contexto alentejano. O século XVI, também na figura do poeta palaciano Bernardim Ribeiro, marca o apogeu do desenvolvimento desta Vila em contexto medieval.

 

Percorrendo as suas ruas, o visitante é surpreendido pelos tesouros encerrados no interior das suas várias igrejas caiadas de branco, pelos singulares pórticos manuelinos ainda existentes, e pela, orgânica da Vila que mantêm os seus principais pontos nevrálgicos, até aos dias de hoje.

Veja abaixo o descritivo dos pontos a visitar e conheça as experiências adicionais.

Informações úteis

Duração: 1 dia

Distância total: 3,5 km

Modo de locomoção recomendado: de carro ou a pé

Idade recomendada: Todas as idades

Dificuldade do Percurso: Fácil

1. Igreja de Nossa Senhora da Albergaria

Comece por visitar a Igreja de Nossa Senhora da Albergaria, também conhecida por Igreja da Misericórdia, em pleno centro histórico da Vila do Torrão. Mandada edificar por D. Margarida de Areada, a construção deste edifício ter-se-á iniciado entre os finais do século XV e os inícios do século XVI. Entre e aprecie os quatro retábulos de arte sacra do século XVI alusivos à Anunciação, à Visitação, ao Nascimento e ao Calvário de Cristo. Em 1994, foi alvo de obras de conservação e restauro que lhe devolveram todo o seu esplendor original.

Em frente ao grande Cruzeiro, colocado no local onde se encontra actualmente no decorrer do século XIX, o visitante encontrará um azulejo com referência ao local onde terá vivido o poeta Bernardim Ribeiro, colocado na parede de uma casa muito transformada. Pouco se sabe ao certo sobre a biografia do poeta que, segundo a memória local, terá nascido nesta rua.

 

Autor da conhecida obra “Menina e Moça”, o poeta renascentista Bernardim Ribeiro terá nascido por volta de 1482 e falecido em 1552. Cedo partiu para Lisboa contactando com a Corte. Terá pertencido ao círculo dos poetas palacianos da época, tais como Sá de Miranda ou Gil Vicente. Bernardim Ribeiro é considerado um dos nomes mais marcantes da história da Literatura nacional, tendo influenciado muitos outros escritores que lhe sucederam.

 

Para visitar, dirija-se à Junta de Freguesia (Horário: segunda a sexta das 9h às 12h30 e das 14h às 16h30) ou contacte: 265 669 245 / freguesia.torrão@mail.telepac.pt

 

2. Igreja e Convento de São Francisco

Seguimos até  ao Convento de São Francisco, erguido sobre as fundações de uma ermida dedicada a S. Sebastião – santo protetor da peste. Edificado na segunda metade do séc. XVI o Convento de São sofreu alterações significativas em 1737. No interior da Igreja surgem diversos elementos de estilo barroco. Durante o séc. XVIII, comprovando a importância destes centros religiosos sobretudo em contextos periféricos, o Convento albergou durante vários anos uma escola de alfabetização para crianças, dedicando-se também ao ensino do Latim. 

Para visitar, dirija-se à Junta de Freguesia (Horário: segunda a sexta das 9h às 12h30 e das 14h às 16h30) ou contacte: 265 669 245 / freguesia.torrão@mail.telepac.pt

3. Convento de Nossa Senhora da Graça

Siga até ao Convento de Nossa Senhora da Graça, passando pela Rua das Freiras e tente encontrar o pórtico manuelino que resistiu às transformações de que foram alvo várias habitações mais antigas deste centro histórico.

Relativamente ao Convento das Clarissas, congénere feminino de São Francisco, foi fundado por Brites Pinto em meados do séc. XVI , mas apenas em 1599 recebe a designação de Mosteiro por parte da Infanta D. Maria, filha de D.Manuel I. De arquitectura maneirista e decoração exterior despojada, impressiona pela inesperada monumentalidade no contexto da Vila do Torrão, o que comprova a importância das Clarrisas no contexto religioso, económico, cultural e formativo na Vila e na região. A sua extinção remonta a Setembro de 1882, após a morte da última religiosa, conforme prescrito na extinção das ordens religiosas em 1834.

 

4. Igreja Matriz

Siga até à Igreja Matriz da Vila, dedicada à santa padroeira do Torrão, Nossa Senhora da Assunção, templo localizado na zona mais antiga da vila. O arranque da sua construção data do séc. XIII, à semelhança das igrejas matrizes vizinhas de Alvito e Viana do Alentejo. Sujeita  a várias alterações ao longo do tempo, ostenta o estilo Manuelino tanto no pórtico de entrada, como em diversos detalhes no seu interior.  Antes de entrar para apreciar as várias capelas laterais com retábulos de pintura maneirista e barroca, detenha-se um pouco junto ao portal principal e descubra os elementos decorativos característicos do gosto da época.

 

Para visitar, dirija-se à Junta de Freguesia (Horário: segunda a sexta das 9h às 12h30 e das 14h às 16h30) ou contacte: 265 669 245 / freguesia.torrão@mail.telepac.pt

 

5. Antigos Paços do Concelho

Voltamos o centro da Vila, mais precisamente à Praça Bernardim Ribeiro, onde pode ser apreciada a escultura deste poeta, de pena na mão. De frente para a Praça ficam os Antigos Paços do Concelho, actual Junta de Freguesia, edifício destinado desde sempre aos assuntos administrativos do Torrão, outrora sede de Concelho. Segundo a memória popular, a sala onde actualmente funcionam os serviços administrativos da Junta terá servido outrora como prisão. Anexado a este edifício, caracterizado pelos barrões azuis, encontramos ainda a Biblioteca do Torrão, serviço que ocupa o espaço da antiga Igreja do Carmo, de pequenas dimensões, construída na transição do século XVII para o século XVIII.

 

6. Museu Etnográfico do Torrão

A dois minutos, fica o Museu Etnográfico do Torrão, espaço museológico de visita obrigatória para aqueles que queiram conhecer melhor o património cultural desta Vila, sobretudo as tradições gastronómicas centradas nos ciclos da natureza, da agricultura e, claro, do pão como elemento simbólico, económico e cultural.

Neste espaço poderá também apreciar alguns dos artefactos arqueológicos descobertos na região, ao longo de vários anos.

 

7. Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso

Terminamos o itinerário junto à Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso, um dos ex-libris desta Vila alentejana, que dá as boas vindas a quem vem da EN383. Caiada de branco e amarelo, esta ermida emerge no ponto mais alto da Vila. Foi mandada erguer em março de 1729 por autorização do Rei D. João V, tendo em conta as pequenas dimensões da primitiva ermida que já existia no mesmo local, construída no reinado de D.Manuel I,  e que reunia grande número de fiéis em dias de romaria, o que se comprova com a existência das antigas casas dos peregrinos, na parte lateral da ermida. Insere-se no tradicional estilo barroco português, neste caso, de carácter regional, e o seu interior encontra-se ricamente decorado com pintura mural ao gosto da época. Do exterior, aproveite para apreciar a vista sobre o Torrão e a paisagem envolvente, entre o montado e o olival a perder de vista.

 

Para visitar, dirija-se à Junta de Freguesia (Horário: segunda a sexta das 9h às 12h30 e das 14h às 16h30) ou contacte: 265 669 245 / freguesia.torrão@mail.telepac.pt

Experiências Gastronómicas

Experiências na Natureza